Assim quis Papai Noel
Igor passou esse natal de 1998 bem satisfeito. Mas é claro! Quem não gosta de ganhar presente? Voltou a acreditar em Papai Noel com 21 anos, porque viu um desejo seu ser realizado, mesmo não atendendo às exigências e burocracias natalinas, falo especificamente de colocar, até a véspera de natal, o sapatinho na janela com o pedido dentro. Seu desejo foi atendido, e veio com o nome de Carla.
Carla veio embrulhada de forma simples: um vestido claro, com detalhes em laranja e um discreto elástico no cabelo da mesma cor, que prendia seu rabo de cavalo. O primeiro contato foi inexplicavelmente ocasional, como quase tudo na vida. Expor detalhes aqui, torna-se desnecessário; é desnecessário e não dá conta de explicar, dizer que foi uma amiga em comum que os apresentou, que o encontro ocorrera num sebo da Regente Feijó, que mais tarde estreitaram relações, trocaram telefone, emprestaram um ao outro cds e livros. Basta saber que Igor não podia ouvir o celular tocar, porque tinha deixado seu coração no vibra call, assim torcia sempre para que fosse o nome dela a ascender no visor; basta saber que o primeiro beijo foi inesquecível, e que a partir desse, todos os outros não puderam ser enumerados, pois tinham o mesmo sabor e emoção do primeiro; basta saber que numa tarde, Carla disse a ele que era soropositiva, e que foi uma conversa acompanhada de café e lágrima. Basta saber que Igor não sabia o que fazer, que até pensou: “ora, camisinha existe, não existe?”. Contudo, sem acreditar em sua própria conclusão, deixou seu presente partir. No natal de 1999 ele não contava mais com a visita do Papai Noel.